Adeus Vertigo, olá Luluzinha
07:23Quando questionados sobre os motivos que os levaram a tomar uma atitude tão drástica, os executivos da Ediouro argumentaram que o problema foi a falta de lucro a curto prazo, como se a linha Vertigo fosse um estrondoso sucesso de vendas no Brasil, em vez de ser publicada em “doses homeopáticas” desde 1995. Mas quem disse que as coisas nunca podem piorar?

Eis que eu descubro, lendo algumas notícias na internet, que a mesma Pixel Media canceladora de títulos adultos vai lançar uma versão “teen” da Luluzinha, na esteira do sucesso da Turma da Mônica Jovem (e essa aqui merece um texto à parte). Agora me digam: o que diabos esses executivos tem na cabeça?
Nem vou me dar ao trabalho de falar o que todo mundo já sabe sobre as revistas da Vertigo; vamos nos ater à estupidez de tentar fazer uma versão “jovem” da Luluzinha. Não questiono a importância da personagem pros quadrinhos, mas sejamos francos: no atual cenário da publicação de HQ’s no Brasil, quem é a Luluzinha? A décima-terceira personagem depois de ninguém, nem mais nem menos. Embora pareça que ela pode passar pelo mesmo processo que a Mônica, a Ediouro não poderia dar um tiro mais certeiro no próprio pé.
Isso porque, diferente da senhorita Lulu e Cia., a Mônica nunca saiu de circulação. A intenção do Maurício de Sousa era justamente pegar esse pessoal que deixa a infância e, junto com ela, o hábito de ler os gibis da Turma da Mônica. O uso do mangá como estética (e não como estilo, como muitos pensam) serviu pra pegar também o pessoal que é fã desse estilo e que provavelmente nunca tinha lido nada da baixinha dentuça. Resultado: sucesso imediato. Diante desse cenário, nem mesmo o Aranha tem chance (e não falo do Aracnídeo da Marvel, e sim da “identidade secreta” do Bolinha).
Mas é claro que eles têm suas armas secretas. Uma delas é a aparição da Pitty (!), num show aberto pela banda do Bolinha (!!) – ou apenas Bola, já que ele ficou mais magro. Outra coisa que também apareceu foi um blog onde a protagonista bota uns pensamentos, alguns deles durante a revista (e pra serem modernosos, eles até tem twitter). Agora, sabe o que eu acho?
Que esse pessoal da Pixel não tem o menor medo de passar ridículo. Cara, é a LULUZINHA! Pergunta pra algum desses moleques dessa geração se ele sabe quem ela é. Daí vêm um bando de executivos engravatados que acreditam saber o que o público deles quer e declaram que “essa é a Luluzinha pras novas gerações”. É claro que falando isso fica parecendo que sou um desses nostálgicos que gostaria que as pinturas ainda fossem todas feitas à óleo, que abomina CD’s (mp3 nem pensar) e coisas desse tipo. Creia, não é o caso. O que me tira do sério é o descaso com o material de cunho “clássico”, com a desculpa que ele deve ser adaptado e atualizado àqueles que estão chegando. Até parece.
Se tem algo de bom nesse projeto (e ênfase no SE, senhoras e senhores), é o fato que pelo menos a Pixel parece ter um projeto mais definido que a Panini quando começou a Turma da Mônica Jovem. Por “projeto mais definido” entenda-se diálogos dignos de Malhação.
Definitivamente, um destino indigno para a personagem. Seu (ou sua) criadora certamente está se revirando no túmulo.
O RPG é inocente!
05:38Segue abaixo um texto de Marcelo Del Debbio, comentando as infelizes associações a crimes que algumas pessoas insistem em fazer com o RPG.
O RPG não influenciou NENHUM crime no Brasil
Peço a todos os jogadores de RPG que copiem este texto em seus blogs, sites, flogs, comunidades do orkut e onde mais puderem, pois não seremos mais usados como bodes expiatórios por delegados ineficazes, pastores evangélicos, vereadores oportunistas e jornalistas incompetentes.
O texto abaixo dá nome aos bois: às vítimas, aos assassinos e aos oportunistas que usaram os crimes para se promoverem. Chega de notícias distorcidas, incompletas e tendenciosas.
TERESÓPOLIS
Em 14 e 20 de Novembro de 2000, na cidade de Teresópolis (RJ), duas garotas de 14 (Iara dos Santos Silva) e 17 (Fernanda Venâncio Ramos) anos foram estupradas, torturadas e estranguladas com um intervalo de seis dias entre os crimes.
Sônia Ramos, 42, madrasta de Fernanda, a segunda vítima, levantou a suspeita de que as atrocidades pudessem estar ligadas ao jogo porque sua filha (a VÍTIMA, que NÃO jogava RPG) andava na companhia de outros garotos que jogavam GURPS e Vampiro (sua alegação se baseou no fato de que sua filha andava as voltas “com pessoas que se fantasiavam de vampiros”).
Inclusive a polícia chegou a prender injustamente um jogador de RPG, que não vou falar o nome porque o coitado era inocente e não merece ter seu nome publicado, mas que passou quatro dias na cadeia por causa deste absurdo. O verdadeiro assassino das garotas foi preso após o 5o crime, depois da prisão do RPGista; era um cigano e NUNCA sequer passou perto de um livro de RPG.
A imprensa irresponsável, assim como no caso famoso da “Escolinha Base”, foi muito rápida em divulgar versões fantasiosas sobre o “jogo da morte”, mas NUNCA publicou uma linha sequer se desculpando com os 400.000 jogadores de RPG que foram ofendidos em sua moral e prejudicados diante da sociedade.
OURO PRETO
No dia 10 de outubro de 2001, Aline Silveira Soares viajou do Espírito Santo com sua prima e alguns colegas para Ouro Preto para participar da “Festa do Doze”, que é uma espécie de Carnaval fora de hora entre as faculdades da região, com R$40,00 e a roupa do corpo para passar três dias.
Segundo o laudo, Aline consumiu drogas durante o dia anterior ao de sua morte. Esta informação foi confirmada por diversas testemunhas que também participavam da festa, em Ouro Preto (testemunhas que foram solenemente ignoradas pelo delegado Adauto Corrêa após as investigações tomarem o rumo circence). Aline não tinha dinheiro e acreditou que conseguiria fugir do traficante sem pagar pela droga que consumiu, mas no dia de sua morte (14 de Outubro de 2001), foi abordada pelo criminoso no caminho de volta para a república onde estava hospedada (o cemitério fica exatamente no meio do trajeto entre o local da festa e a república). Testemunhas (que também foram ignoradas no inquérito oficial) disseram ter visto Aline conversar com um conhecido traficante da cidade na porta do cemitério algumas horas antes de sua morte.
De acordo com especialistas em crimes relacionados a drogas, Aline provavelmente teria se oferecido para ter relações sexuais com o traficante para pagar a dívida, pois as roupas da garota foram encontradas “cuidadosamente dobradas e dispostas ao lado do local do crime, sem nenhum indício de violência ou de coerção”. Aline tomou o cuidado de deixar suas sobre uma das lápides, dobradas com a jaqueta por baixo, para que não sujassem.
Ainda segundo o laudo oficial da perícia técnica, durante a primeira facada que Aline recebeu, o corpo estava na posição acocorada, popularmente conhecida como “de quatro”. Segundo especialistas em crimes de estupro, o traficante provavelmente teria tentado obrigar Aline a realizar sexo anal, que possivelmente foi rejeitado pela garota, resultando no primeiro golpe com a faca. O traficante, tendo ferido Aline seriamente, não viu alternativa a não ser terminar de matá-la. Para disfarçar, o assassino colocou o corpo de Aline em posição deitada sobre a lápide (fotos da perícia e rastros de sangue, pode-se atestar que o corpo foi movido APÓS a sua morte) para tentar atrapalhar as investigações.
Quando o corpo foi encontrado, os policiais começaram as investigações pelos locais em que Aline se hospedou e em uma das repúblicas foram encontrados alguns livros de RPG, que o delegado, evangélico confesso, classificou como “material satanista”. A partir disto, um vereador oportunista chamado Bentinho Duarte (sem partido) viu nisso uma chance de se promover realizando terrorismo psicológico e, junto com o Promotor Fernando Martins (conhecido por ter tentado proibir a distribuições de jogos como Duke Nuken e Carmagedon), moveu ação contra as empresas Devir Livraria e Daemon editora tentando a proibição de 3 títulos (Vampiro: a Máscara, Gurps Illuminati e Demônios: a Divina Comédia).
Resumindo: um crime que não teve nada a ver com RPG, mas sim com DÍVIDA DE DROGAS resultou até agora na prisão de 4 garotos injustamente (que NÃO são jogadores de RPG, fato comprovado pela mãe da vítima em depoimento ao vivo na rede Bandeirantes de TV) e um completo show de aberrações e absurdos na mídia.
GUARAPARI
Polícia Civil do Espírito Santo prendeu, na noite de 12 de Maio de 2005, dois acusados pelo assassinato do aposentado Douglas Augusto Guedes, da mulher dele, a corretora de imóveis Heloísa Helena Andrade Guedes, e do filho do casal Tiago Guedes, em Guarapari. Os corpos dos três foram encontrados amarrados e deitados em camas no dia 5 de maio. Na mesma data, eles foram sepultados.
O delegado da Divisão de Homicídios de Guarapari, Alexandre Linconl, evangélico, disse ao Portal Terra que os assassinos MAYDERSON DE VARGAS MENDES, 21 anos, e RONALD RIBEIRO RODRIGUES, 22, confessaram que eles mataram a família motivados pelo jogo, mas essa “confissão” não ocorreu imediatamente após o crime.
O crime que Mayderson e Ronald cometeram é o de LATROCÍNIO QUALIFICADO E PREMEDITADO, ou seja, mataram para roubar de uma maneira cruel e sem dar chance de defesa às vítimas, com premeditação. Esse é um crime hediondo, sendo julgado e condenado diretamente por um juiz criminal. Ambos os acusados já tinham ficha criminal (ambos estão respondendo processo por Porte ilegal de Arma).
O que o advogado de defesa da dupla estava fazendo era alegar que eles cometeram o crime influenciado pelo jogo e, com essa ação, tentar reverter o crime para Homicídio Simples, baseado no tal jogo que ninguém sabe o que é. Com isso, os assassinos iriam para um júri popular, que poderia ser muito bem influenciado por todo esse novo circo que a mídia sensacionalista armou e, jogando a culpa em cima do RPG, poderia até inocentar os “pobres coitadinhos vítimas do jogo” Mayderson e Ronald…
O que tem de ficar bem claro é o seguinte: os criminosos entraram na casa, apontaram armas para Tiago e sua família, doparam a família sob a mira do revólver, levaram o garoto até o caixa eletrônico onde roubaram R$ 4.000,00 de sua poupança e depois executaram friamente a família com tiros na cabeça, para não serem reconhecidos. A história do “RPG” só apareceu dois dias depois que os assassinos foram capturados pela polícia, sob orientação do advogado de defesa da dupla.
É bom lembrar, já que a mídia “esqueceu”, que, graças à intervenção da Daemon Editora e da conversa de Marcelo Del Debbio, escritor especialista em Role Playing Games, com o delegado de Guarapari ao vivo em uma entrevista na Rede Bandeirantes de TV, o advogado de defesa da dupla abandonou o caso, deixando os dois criminosos sem advogado à espera de um defensor público.
Com estes textos, podemos começar a nos defender dos três falsos “crimes do RPG”. Já está na hora destas informações serem passadas para jornalistas sérios que queiram nos ajudar a fazer a verdade aparecer.
Acho que isso é tudo, pessoal.
E eu fiz meu Twitter...
16:51Não me entendam mal: não fiquei quase dois meses sem fazer novos posts pra chegar aqui e me fazer de polêmico (afinal, qualquer coisa que desafia o senso comum é polêmica e, convenhamos, o Twitter é a mais nova modinha). As pessoas que me conhecem sabem que sou meio avesso à novas tecnologias – vide meu desprezo por telefones celulares e os iPods da vida. O que não significa que essas coisas não sejam úteis: o celular é um meio de comunicação, abdicar dele hoje é um luxo para poucos; já lunáticos como eu que tem um radinho na cabeça tocando o que quer e bem entende não precisam de mp3 ou iPod. O lance aqui é justamente a serventia do Twitter. Pra que ele serve, afinal de contas?
Não me lembro onde foi que eu li, mas já teve gente falando que o Twitter vai substituir os blogs. Como é que 140 caracteres por atualização vão fazer isso? Se alguém quiser me explicar é mais que bem-vindo (a). Embora esteja correndo o risco de ser reacionário ou coisa parecida, o que eu quero perguntar é o seguinte: afinal de contas, é ou não muito barulho por nada?
Acho que convém dizer que esses dois primeiros parágrafos foram escritos antes de eu passar quase uma hora só explorando os recursos que essa ferramenta tem a oferecer. De antemão, posso afirmar que o Twitter se mostra a salvação da lavoura pro pessoal que acessa o orkut ou o MSN no trabalho – mas só por ora; tão logo ele desenvolva seu potencial viciante, será banido dos ambientes corporativos.
Claro que há outras vantagens – especialmente no âmbito da divulgação e publicidade. Mas, a meu ver, há pouco além disso. Pra mim, ficou a impressão que o Twitter nada mais é do que uma metáfora dos nossos dias, onde tudo é resumido e reduzido. Onde todo um universo de possibilidades comunicativas fica reduzido a 140 caracteres (acentos não contabilizados). E à moda dele, eu termino por aqui.
Pra quem quiser me seguir... @cleristoncosta
Top 10
22:36Resolvi então fazer um post com os 10 discos que marcaram a minha vida. O legal é que de início pensei que 10 era muito, e em menos de 5 minutos a coisa deringolou para os 25 ou 30... não, só 10 já tá bom. E antes que alguém pergunte, eles estão dispostos em ordem aleatória.

Engenheiros do Hawaii – Simples de Coração (1995)
Uma coisa que sempre achei legal nos Engenheiros é esse lance de querer soar datado, coisa velha mesmo. Mas não foi esse o foco em Simples de Coração; nessa época o Augusto Licks tinha saído da banda, desfazendo a melhor formação dos Engenheiros de todos os tempos. Mas a ironia é que foi nesse momento que saiu talvez o melhor álbum que o Gessinger já fez. Pena que ele honrou o apelido “cavalo” e o quinteto que gravou esse álbum se desfez em 1996. De hit, ficou “A Promessa”.
Favoritas: “A Perigo”, “Simples de Coração”, “O Castelo dos Destinos Cruzados”.
Paralamas do Sucesso – Hey Na Na (1998)É aqui que meu gosto por álbuns desconhecidos fica mais acentuado. Gostei muito de Hey Na Na porque é autocontido, simples e nem um pouco ambicioso. Só que “Ela Disse Adeus” é ótima, e o clipe de “Depois da Queda o Coice” é dos mais legais que eu já vi. Mas o mais importante pra mim é que esse foi o primeiro CD dos Paralamas que eu escutei; depois saí buscando tudo quanto foi LP e cassete pra recuperar o tempo perdido. Não sei se é o meu favorito, mas certamente é um dos mais importantes.
Favoritas: “Por Sempre Andar”, “O Trem da Juventude”, “Ela Disse Adeus”.
Legião Urbana – O Descobrimento do Brasil (1993)Sempre achei o primeiro álbum da Legião o melhor de todos. Mas foi Descobrimento que fez minha cabeça por anos e anos. Talvez porque foi nessa época que eu realmente comecei a me interessar por música (ou talvez porque eles fossem líderes absolutos na categoria "música pra adolescente ouvir chorando no quarto"), mas o fato é que Legião foi minha banda favorita por muito tempo. Os riffs de “A Fonte”, a melancolia de “Love in the Afternoon”, o desapego de “Só Por Hoje”... se for falar de cada música aqui, ocuparia espaço demais.
Favoritas: “A Fonte”, “Vamos Fazer um Filme”, “Só Por Hoje”.
Capital Inicial – Atrás dos Olhos (1998)Depois de um tempo desmantelado, o Capital voltou com todo gás nesse disco. Normalmente as pessoas só lembram do Acústico MTV, mas sempre achei Atrás dos Olhos a obra-prima perdida do Capital. Rock básico com letras espertas e diretas, pra soar roqueiro sem ser datado. É uma pena que os caras insistem em regravar o mesmo CD ano após ano.
Favoritas: “O Mundo”, “Estranha e Linda”, “Terceiro Mundo Digital”, “Hotel Jean Genet”.
Titãs – Go Back (1988)Esse tinha tudo pra dar errado, mas se mostrou uma das maiores surpresas do BRock. Se ignorar as microfonias e os problemas de gravação, é um excelente show ao vivo, com os Titãs em sua melhor fase. Ouvir “Bichos Escrotos” em todo seu esplendor caiu aos meus ouvidos como uma bomba de efeito moral; aturdido, não parei de ouvir o CD e assim que terminei ouvi outra vez. E outra. E outra...
Favoritas: “Bichos Escrotos”, “Lugar Nenhum”, “Go Back (Remix)”
Nirvana – In Utero (1993)Foi com o Nirvana que eu comecei a me interessar por rock estrangeiro. Ouvia Nevermind todo dia, direto (tocou tanto que eu tive que comprar outro CD depois), mas é em In Utero que o Nirvana finalmente alcança a maturidade musical. Além das distorções, além da voz falha e rouca de Kurt Cobain está uma banda honesta, que dá gosto de ouvir. Gosto de pensar que, se a banda existisse até hoje, era esse o tipo de rock que estariam fazendo.
Favoritas: “Serve the Servants”, “Heart-Shaped Box”, “Pennyroyal Tea”.
Angra – Holy Land (1995)Como muitos, tive minha fase mais pesada. Apesar de até hoje gostar de som mais pesado, sempre estou tentando ampliar meus horizontes musicais. E a proposta do Angra não apenas me soou bem interessante (se bem me lembro, metal melódico. Sempre me atrapalhei com as designações desse estilo), como era bem diferente do que eu ouvia. Os agudos de André Matos incomodam bastante, mas ainda é um disco bem legal.
Favoritas: “Nothing to Say”, “Carolina IV”, “The Shaman”.
Pearl Jam – Riot Act (2002)Talvez um dos meus dois álbuns favoritos de todos os tempos. Comecei a ouvir Pearl Jam pouco antes do lançamento desse CD, e tive a sorte de ter um amigo que era super fã da banda – tanto que ele me emprestou todos os álbuns na ordem que foram lançados, e pude acompanhar a evolução do som dos caras. Ele me soa como um peso quase contido, e acho isso ótimo. Costumo ouvi-lo quando leio Sandman (outra paixão), e por isso mesmo defino Riot Act como "música noturna".
Favoritas: o álbum todo
Alice in Chains – Dirt (1992)Foi aqui que minha formação grunge se consolidou de uma vez. O Alice in Chains primou por acrescentar a sonoridade do heavy metal ao feijão-com-arroz básico do grunge – e o resultado final ficou muito bom. O Dirt, em especial, também é um álbum conceitual, narrando a entrada de um sujeito no mundo das drogas. Por isso ele começa com “Them Bones”, música rápida e rasteira, e no final temos “Down in a Hole”, onde o dito cujo se encontra literalmente no fundo do poço. Fenomenal.
Favoritas: “Them Bones”, “Rain When I Die”, “Hate to Fell”, “Angry Chair”, “Would?”
Joe Satriani – The Extremist (1992)Só depois de ouvir The Extremist é que eu comecei a me interessar por música instrumental. Aliás, passei um bom tempo só ouvindo temas sem letra nenhuma. E o cara é um músico excelente, de mão cheia mesmo. Todo mundo conhece “War” e “Summer Song” (essa última foi a música de fundo das atrações do Video Show por anos e anos) mas, acreditem, tem muito mais que vale a pena. Mas como conseguir CDs de Satriani sempre foi difícil, esse foi o único que ouvi até hoje...
Favoritas: “Friends”, “The Extremist”, “Why”
E você? Qual é o seu “top 10”?
Watchmen - o Filme
15:02Adaptações sempre são complicadas. Não importa o quanto se tente, sempre tem algo que fica de fora – o que no final das contas é bem lógico; trata-se de uma adaptação, não de uma transposição literal de uma mídia para outra, o que é na maioria das vezes impossível. Acrescente a isso que a obra em questão é querida por milhares de fãs no mundo inteiro e está feita a balbúrdia. Quando se trata daquela que talvez é a mais complexa maxi-série de todos os tempos, multiplique algumas dezenas de vezes o receio desses fãs. Fazer um filme de Watchmen para o cinema é literalmente mexer num vespeiro.
Vou deixar uma coisa bem clara: como fã da história (li nove vezes, e comecei hoje a décima releitura), fiquei com bastante medo do que iria para as telas de cinema. As pessoas que me conhecem sabem que a frase “eu ainda tenho medo desse filme” foi repetida por mim incontáveis vezes. Em vez de tentar assistir sem levar em consideração o quadrinho que inspirou a película (o que fatalmente se mostraria impossível), livrei minha mente de preconceitos e tentei me divertir assistindo o filme.
É com muita satisfação que afirmo: Watchmen é um bom filme. Não é perfeito, tem falhas de roteiro, uma ou outra coisa que incomoda, um final que pra mim foi mal executado. Ainda assim, é bom. Porque é seguramente o mais próximo dos quadrinhos que alguém poderia chegar. Lembra do que eu disse sobre adaptações lá no primeiro parágrafo? Pois é. Por mais que quisesse, Zack Snyder não poderia levar o gibi pro cinema, então fez o que pôde. E o resultado é satisfatório.
Houve liberdades com relação aos uniformes dos protagonistas, mas isso é detalhe perto da fidelidade dos lugares e de certos elementos secundários. O Gunga Diner está lá, exatamente igual. O jornaleiro e o moleque lendo gibi que faz companhia para ele também. Fora coisas que só alucinados que leram a série várias vezes (alguém disse meu nome?) percebem: cartazes, propagandas, detalhes que tornam o filme uma grande experiência. Aliás, a produção foi tão bem-cuidada que as músicas de cada diferente época da história casam perfeitamente. A abertura com Bob Dylan não me deixa mentir. Realmente sensacional.
Sobre os atores, devo concordar com praticamente tudo que dizem por aí. Jack Earle Haley definitivamente É o Rorschach. Assustador, especialmente nas cenas na prisão. Billy Crudup (Dr. Manhattan) não decepciona, apesar de ter em mãos talvez o papel mais simples de todos. Já Jeffrey Dean Morgan faz um Comediante incrivelmente cínico. Pena que não apareceu mais.
Por outro lado, o cara do Ozymandias (Matthew Goode) é bem ruinzinho mesmo, enquanto que Patrick Wilson (Coruja) é exatamente igual ao personagem da revista, e nada mais. O “efeito Batman” que deram a ele só piorou tudo. E Malin Akerman parecia deslocada a maior parte do tempo no papel de Espectral – mas estava bem à vontade na sequência na nave do Coruja. Pelo menos isso.
Agora, vamos aos problemas. Pra começo de conversa, fiquei com a impressão que todo mundo tem super-força. Tipo, no início do filme o Comediante faz um rombo na parede com um SOCO! E ele não é o único: Coruja e Espectral tem sua cota de feitos super-humanos na luta no beco. Até Rorschach ganhou super-pulos. Estranho, muito estranho... Sem contar que todos os “Watchmen” parecem artistas marciais, com muitos golpes de caratê aqui e acolá.
Agora, esse final me incomoda mesmo. E nem é a “bomba Manhattan”, mas a forma como os personagens chegaram até lá. As coisas acontecem muito rapidamente no final, deixando algumas perguntas no ar (como a revolta de Laurie ao descobrir quem é seu verdadeiro pai. O ódio da personagem pelo Comediante foi praticamente suprimido, e quando aparece fica aquela impressão de que algo está fora do lugar).
Como se isso não bastasse, ainda temos a grande questão: uma das coisas que torna Watchmen tão importante para os quadrinhos é a narrativa de Alan Moore, tão bem trabalhada que permite várias interpretações possíveis dos eventos mostrados na história. Mas no filme tudo veio mastigadinho, pronto pro espectador comum. As implicações morais sobre os atos de Ozymandias para salvar o mundo ficam em segundo plano diante de algumas furadas de roteiro – dessas, uma das piores foi a morte de Rorschach (com direito ao Coruja gritando “NÃÃÃÃÃÃÃÃOOO” depois de Manhattan desintegrar o terror do submundo nova-iorquino).
Enfim, entre mortos e feridos, Zack Snyder cumpriu ao menos parcialmente sua missão. Tenho certeza de que, quando vir o filme outra vez (sim, pretendo fazê-lo) provavelmente terei uma ou duas coisas a acrescentar. Mas no final das contas, é um filme divertido. E apenas isso.
Memórias de um Gibiota - III
06:08Isso mesmo! Lá pelos idos de 96, dona Rose me presenteou com uma assinatura das revistas Marvel. Um ano recebendo quadrinhos de super-heróis, ainda por cima no conforto de casa? Era impossível não voltar ao hobby. E eu estava de volta aos quadrinhos (o que eu disse sobre gibis de super-heróis na última parte?), em grande estilo, exceto por um pequeno detalhe:
Ô fase NEGRA que eu peguei. Simplesmente medonha. Pra começar, X-Men era escrito por Scott Lobdell, adorado por poucos e detestado por muitos (eu, inclusive); suas histórias cheias de drama até que eram legais, mas depois do terceiro mês de lenga-lenga não há quem agüente. O Aranha estava prestes a começar a infame Saga do Clone (pra quem achava que Um Dia a Mais foi a primeira vez que a Marvel tentou zerar o Aracnídeo, ledo engano) e Superaventuras Marvel, revista certa de encontrar boas histórias, foi pro saco. Definitivamente, não foi um retorno triunfal.
Contudo, mesmo com todos esses perrengues, me diverti muito lendo essas histórias. E isso se deve principalmente porque até então eu não havia desenvolvido uma consciência crítica; lia o que caísse na minha mão. O despertar da minha opinião própria sobre quadrinhos foi uma cortesia da Wizard.

Publicada pela Globo entre agosto de 96 e outubro de 97, a revista de onde peguei emprestado o título “Memórias de um Gibiota” era ótima. Notícias escritas por quem conhece sobre o que escreve, entrevistas, checklist e, claro, opiniões sobre fulano e cicrano. Vale destacar que a Globo publicava também umas revistas da Image, que muitas vezes eram descaradamente defendidas. Mas esses pormenores ficavam em segundo plano diante da avalanche de informações que ela trazia. Numa época em que internet era luxo para poucos, faltava pouco para atingir o nirvana. Pena que acabou rápido, e foi substituída por uma porcaria chamada Wizmania que hoje em dia sai pela Panini.
E essa ainda não é a melhor surpresa desses tempos. me reservaria uma grande descoberta: eu não estava só.
(Deixo aqui uma rápida explanação: hoje em dia pode ser muito fácil encontrar pessoas com os mesmos interesses que você, mas naquela época definitivamente não era. Tanto, que eu conheci outro leitor de quadrinhos com quase SETE anos de estrada. Imaginem o choque. Agora, voltemos ao meu relato.)
Quando estava no primeiro ano do ensino médio, eu folheava o exemplar daquele mês de X-Men (estava uma porcaria, pelo que me lembro) e um fulano chegou perto de mim pra perguntar se eu tinha revistas do Capitão América pra vender; isso não apenas despertou minha curiosidade como também meu lado comerciante, e assim estava feito meu primeiro contato com outro leitor, chamado Felipe. Isso rapidamente me levaria a conhecer outros da nossa estirpe, o que acabaria na formação do meu primeiro grupo de discussão de HQ. Por “discussão”, entenda saber quem comprou quê, qual a opinião sobre a revista tal e coisas assim.
Mas “todas as coisas iniciadas devem ter um fim”, e com esse grupo não foi diferente. Não tardou até que cada um traçasse seu próprio caminho, e terminamos por nos separar. Mas eu sabia que havia outros fãs de quadrinhos por aí, e não demoraria a encontrá-los. E os ocorridos durante minha empreitada ficam para uma próxima vez...
Memórias de um Gibiota - II
19:34



Memórias de um Gibiota - I
19:24

O que é RPG?
18:54RPG vem de Role Playing Game, que em português seria algo como Jogo de Interpretação de Personagens. Nessa atividade (que graças a Deus não é chamada aqui de JIP), os jogadores se dispõem a representar papéis (os personagens) numa história narrada por outro jogador, comumente chamado de Mestre (mas que dependendo do jogo pode ser chamado de Narrador, Anfitrião, Observador… o nome muda, mas a finalidade é a mesma. Igual aos reality shows, saca?). Esse Mestre conta a história onde os personagens dos jogadores se encontram, e como os atos deles interferem no enredo. Uma boa definição para RPG seria algo como um “teatro de improviso”.
Contudo, o assim chamado Narrador tem poderes absolutos sobre todos os eventos do enredo – e isso em nada atrapalha o ritmo de jogo, porque o principal objetivo do RPG não é vencer, mas sim contar histórias, onde todos possam se divertir. Desse modo, a palavra dele (dentro do jogo, que fique bem claro) é lei. Mas de modo a tornar as coisas menos arbitrárias para o Mestre (e acrescentar um elemento emocionante à coisa), quase sempre que alguém tenta fazer alguma coisa, usam-se dados das mais variadas formas que, dependendo do resultado, permitem a você ter sucesso ou não no que queria fazer.
Essa é a parte onde eu falaria de alguns jogos que fazem sucesso, mas por motivos de força maior (cansaço físico e mental) vou ficar só com dois dos mais jogados. Se alguém quiser, posso falar sobre outros RPGs outro dia.
Dungeons & Dragons (ou simplesmente D&D): o RPG mais jogado no mundo, nem mais nem menos. D&D evoca a fantasia medieval, com elfos, dragões, itens mágicos e vários elementos diretamente saídos de um livro de J.R.R Tolkien. Apesar de possuir um “cenário padrão”, uma das coisas que fez o sucesso de D&D foi justamente a grande variedade de cenários de campanha (como são chamados os mundos onde se passam as aventuras de RPG), indo do heroísmo de Dragonlance ao terror de Ravelnloft. Há pouco tempo uma nova edição foi lançada, e ela em breve chegará ao Brasil. Um clássico absoluto do gênero.

Bom, acho que é isso.
Apresentação
18:52Olá, me chamo Cleriston, e nesse espaço vou escrever sobre diversos temas, como HQ, cinema, RPG e idéias em geral.
Cabe aqui uma explicação: batizei o blog de “tribos & tributos” porque, além de ser um trocadilho difícil de esquecer (propaganda é a arma do negócio, oras), define bem a idéia que eu quero trabalhar: um lugar onde eu possa abordar vários temas, com diferentes públicos-alvo (tribos) e também dar espaço para coisas que gosto (tributos).
Então, aqui estamos.


